02 fev

Conheça o Açafrão da terra

0202 - Blog - Matéria - Açafrão




Ultimamente tem-se ouvido falar muito no açafrão da terra, ou cúrcuma, como também é conhecido. De origem asiática, este alimento vem sendo utilizado há milhares de anos, tanto para temperar alimentos como para fins medicinais. A parte utilizada para preparação dos alimentos é o rizoma, depois de colhidos, seus bulbos são cozidos, secos e moídos e transformam-se nessa especiaria, que também é a base principal do tempero conhecido como curry, que é muito utilizado na culinária indiana.

De acordo com a grande quantidade de trabalhos realizados, especialmente com os curcuminóides, que são os corantes amarelos abundantes no rizoma, a cúrcuma possui atividade hepatoprotetora, colerética, digestiva, hipolipemiante, hipoglicemiante, antimicrobiana, anti-inflamatória, anti-oxidante, imunoestimulante, anti-agregante plaquetário, entre outras.

A substância zingibereno possui propriedades anti-ulcerosas, o 1-fenil-hidroxi-N-pentano estimula as secreções de secretina, gastrina e sucos pancreáticos além de contribuir para a manutenção do ph gástrico. O eugenol e o zingibereno são os responsáveis pelas propriedades carminativas.

As substâncias que estão envolvidas com as propriedades hepatoprotetoras são as curcuminas. Alguns estudos apontam que a curcumina poderia ter ação colecistocinética e um efeito antiinflamatório.

O rizoma da cúrcuma contém ainda alguns compostos anticancerígenos: curcumina e curcuminóides, betacarotenos, curcumenol, curdiona, turmenona, terpineol e limoneno. Possuem efeito protetor frente ao câncer de pele, de duodeno, de mama e câncer de cólon.

Um dos maiores problemas referentes à utilização clínica da curcumina é devido à sua baixa biodisponibilidade. Recomenda-se que seja consumida em conjunto com pimentas e gorduras boas (como óleo de coco, azeite de oliva, entre outros), pois assim aumenta em até 2000 vezes a sua absorção.

A dosagem pode variar conforme literatura científica, sendo que estudos revelam melhor efetividade em doses de 3 a 6g de curcumina. O consumo de apenas 80mg do princípio ativo ao dia reduz os níveis de triglicerídeos em 30 dias.

Estudos clínicos mostram benefício da administração de 500mg de cúrcuma, 3 vezes ao dia, sobre casos de artrites e tendinites. O consumo de 300 a 600mg do extrato seco padronizado, com três tomadas diárias, com composição mínima de 95% curcuminóides, demonstra eficaz efeito anti-inflamatório.

A cúrcuma possui efeito emenagogo e não se recomenda na gravidez. Não há informação suficiente para determinar a sua segurança durante a lactância. É contra-indicado para crianças menores de 4 anos, pessoas com oclusão das vias biliares e úlceras gástricas.

Essas informações não dispensam o acompanhamento de médicos ou nutricionistas.

Fontes:

BÉLIVEAU E GINGRAS. Os benefícios da cúrcuma. 2007. Acesso em: 05 de dezembro de 2015.

CECILIO FILHO, A. B. et. al.. Cúrcuma: planta medicinal, condimentar e de outros usos potenciais. Ciência Rural. Santa Maria. V. 30. Nº1. 2000.

FELIPE, M.. Cúrcuma: especiaria e antinflamatório pode ser a alternativa para o controle da dengue. Abr. 2015.

PR Vade Mecum de prescription de plantas medicinales, CD ROM. 3ª ed. 1998.

ALONSO, J. Tratado de Fitofármacos y Nutracéuticos. Rosario, Argentina: Corpus Libros, 2004.

BLUMENTHAL, M. et al. German Federal Institute for Drugs and Medical Devices. Commission “E” – The complete German Commission E monographs: therapeutic guide to herbal medicine. Austin, Texas: Ed. American Botanical Council, 2000.

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.